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A maissucesso entrevistou o empresário Manuel Leite dia 13/03/2007, onde ele apresentou o melhor da Dynamic Style.
Entrevistado: Manuel Leite
Empreendedor da: Dynamyc Style
Tema: Sucesso
Manuel leite por ele mesmo.
Manuel Leite foi o projeto de mim mesmo que surgiu a partir de um evento no ano de 1974. Aaprendi a pegar onda através de amigos da época, onde comecei a competir, pois naquele tempo não tinha as escolinhas de surf como existem hoje, onde uma pessoa que não sabe nada recebe instruções e um mês depois já está pegando onda. Antigamente você tinha que ralar seis meses para aprender a pegar onda e depois enfrentar situação de ondas maiores, correntes e tempestades que antes aconteciam bem mais do que hoje. Competi 3 anos de minha vida no time de surf aqui em Salvador, logo depois parti para eventos no Rio de Janeiro, São Paulo e fora do Brasil.
Devido a um relacionamento que tive com minha atual esposa, com quem já tenho 32 anos de união entre casamento e namoro, passei a investir no lado empresarial na fabricação e manutenção de pranchas, pois na época não tinha loja e nem condições financeiras de manter uma, desde então comecei a trabalhar fabricando pranchas em Aracajú, Maceió, Recife, Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro e até no Rio Grande do Sul, fazia pranchas e cada vez me aprimorava mais. Depois de muito tempo tive um problema de saúde: início de leucemia, isso aconteceu devido à falta de cuidado com minha saúde, pois não usava máscaras nem roupas apropriadas, mas hoje já existem exaustores para amenizar as doenças. Antes era assim, o fabricante de pranchas shapeava, pintava, laminava, e lixava, ou seja, dava todo acabamento e entregava pronta. Devido a todo esse excesso de trabalho acabei me intoxicando e tive que dar uma parada durante 2 anos. Então decidi trabalhar com mergulho e foi muito bom, pois o processo de desintoxicação foi bem mais rápido e pude conhecer a outra parte de Manuel que ainda não conhecia, foi uma fase muito boa onde comecei a estudar o mar, as correntes, as profundidades, os corais, enfim comecei a dar mais valor ao que estava fazendo. Voltei para Salvador e só depois de três anos montei a Dynamic e com uma equipe de atletas consolidei uma parte da fábrica que é a estrutura que tenho hoje. Com as pessoas que me ajudam hoje, afirmo que a meu ver a produção da fábrica é a melhor do Brasil, pois quando um produto é levado daqui para o Sul ou fora do Brasil as pessoas se entusiasmam com o trabalho que temos aqui no Nordeste.
Parte da loja já tem 15 anos de existência, eu era sócio de meu irmão, mas seguimos caminhos diferentes, ele achava mais viável o ramo de corretagem e eu continuei no mesmo trilho e consolidei a marca e a fabricação de pranchas.
Manuel Leite é um misto de altos e baixos, tive pai e mãe, mas não tive liberdade de escolher minha profissão, quem o fez foi meu pai, mas estudei até me formar em Veterinário, mesmo não sendo a minha real escolha. Eu optei pelo surf apostando todas as fichas que conseguiria independência financeira, graças a Deus, ao meu esforço e a minha determinação consegui, eu acho que ainda não estou 100%, mas afirmo estar chegando perto.
O que é o sucesso para você?
Eu tinha um sonho de pegar onda, de conseguir alguns pódios na minha carreira de atleta, graças a Deus consegui em pouco tempo. Depois eu optei pela fabricação de pranchas, calculei metas nessa correria, consegui avançar todas elas e até passá-las agente desenhou no quadro e no final das contas esboçamos de outra forma. O sucesso hoje é poder ver minhas pranchas em anúncios na Europa, meus atletas correndo e ganhando alguns eventos no Sul da Bahia, em São Paulo, Rio de Janeiro e até fora do Brasil, conseguindo pontuações como o André Teixeira na Austrália correndo alguns eventos com minhas pranchas, isso para mim é sucesso, o financeiro e você ver a máquina trabalhar certinha, eu acredito que esse é o meu sucesso.
Quais as maiores dificuldades com a Dynamic Style?
Olha, a Dynamic enfrentou várias dificuldades, inicialmente foi financeira, depois foi à parte burocrática, pois o Brasil infelizmente vê o lado de ter retorno muito mais rápido, assim as indústrias querem ter retorno ou o próprio governo, a própria política do estado em Lauro de Freitas, pois mesmo tendo 15 anos de fabricação ela só vem aqui para dar uma olhada nos papéis não vem aqui para ver se preciso de mais alguma coisa para ajudar. Hoje ajudo pessoas carentes com trabalhos sociais, cinco pessoas que não têm nem lugar para morar e em patrocínio de pranchas, inscrições, roupas, alimentação, na parte odontológica contando com amigos que têm clínicas, e estamos tentando nesse ano agora montar a 1ª escola de surf que irá profissionalizar pessoas carentes, não vai trabalhar com pessoas que tem recursos, mas sim com as que realmente precisam se profissionalizar e não tem condições para tornar isso possível. Aqui na Bahia agente não tem a mão de obra precisa, hoje são 30 fábricas de pranchas que não têm uma formação de profissionais necessária para ter o resultado de produto final mais rápido. Uma pessoa hoje como Manuel Leite precisa de 5 ou 6 profissionais dentro da empresa para construir uma prancha, as fábricas da Bahia também precisam de profissionais para ajudar, porque uma pessoa só não adianta em nada, a produção vai diminuir, a qualidade vai cair e quando a pessoa adoecer o trabalho pára, como aconteceu comigo passei um stress enorme. Eu ia até Valência para comprar e vender Mariscos para ajudar a 1ª fábrica, depois que voltei dessa caminhada fiz a 1ª loja com muita luta para pagar todos os compromissos, pois com o decorrer do nosso processo de empresa começou a aparecer: contador, impostos, computadores, material, luz, água, telefone, e foi uma luta muito grande. Eu acredito que a pessoa não tem que ter só o talento, já nasce com o dom, mas acho que no meu caso teve que ter um empurrão divino, a pessoa lá de cima viu a loucura e o esforço e disse “vou dá uma ajudazinha”. Como diz o ditado “faça por onde que eu te ajudarei”.
Em algum momento pensou em desistir?
Não, em nenhum momento. Eu tive um início de carreira estressante porque meus familiares não davam nenhum apoio para eu criar, naquela época (1975) o pai era protetor absoluto, era o general. Para você cuspir, acordar, sentar sem camisa para jantar ou tomar café da manhã, tinha que pedir a benção e toda fez que fosse dormir também e hoje você tem esse relacionamento pai e filho de uma forma muito constante muito global e agente chega conversa eu e meus filhos até mesmo meus pais, que já têm 80 anos de idade, hoje temos uma amizade profunda nem é mais pai e filho é uma amizade assim muito grande. Eu acredito que devido a tantas situações que passamos, eu e minha esposa, damos valor a tudo que nós construímos e a cada ano agente vai crescendo tanto, que as pessoas vão dizendo “pô vocês já subiram, já cresceram um pouco” sempre estamos almejando cada dia mais enquanto existem oxigênio e vontade de viver, temos que colocar para frente.
Em que momento percebeu o Boomm da Dynamic?
Rapaz agente lutou com todas as discriminações possíveis, de fábricas, da concorrência, de usuários, de atletas, pois muitas pessoas acham que o produto de fora é sempre o melhor, como tem um ditado que eu não concordo “a mulher do vizinho é sempre melhor que a sua”, as pessoas do sul do Brasil ao extremo norte e até fora do Brasil como Estados Unidos, Austrália e Europa chegar a vir comprar e eles mesmos fazerem uma propaganda dizendo assim “As maiores pranchas do mundo que já vi foi a Dynamic Stlyle”. Eu tenho uma entrevista quando eu viajei para Austrália com um dos maiores fabricantes do mundo Saynon Anderson ele elogiando de uma forma impressionante dizendo que viajou o mundo inteiro e uma das melhores pranchas que já viu foi a nossa, então teve que acontecer tudo isso, os nossos atletas subir em pódio e ganhar eventos, nossas pranchas venderem para fora do Brasil para o mercado em si tomar conhecimento do nosso produto. Quando eu vi que houve essa resposta do mercado investi todas as minhas fichas, e hoje você vê uma das maiores fábricas do Brasil é a nossa, modesta parte, umas das maiores lojas de rua do Nordeste. Não é algo para chegar e investir, ou seja, dizer se der certo deu e se não der não deu, eu creio que o caminho que falta realmente é a força maior que não é da minha parte é a força do governo e da prefeitura para ajudar a todos não só a fábrica Dynamic, mas sim todas as fábricas, todos os atletas, até educacionalmente porque hoje você vai a uma praia com sua esposa e seu filho tem as barracas de salva mar e tem sempre uma prancha de surf ali que foi comprovado que há possibilidade de salvar aquela vida com aquela prancha, então o surf hoje é integrado no social.
O que os clientes podem esperar para 2007?
Estamos tentando terminar uma estrutura que é um sonho que eu tive desde moleque: eu mesmo fabricar minhas pranchas, meus acessórios, ter autonomia numa escolinha de surf e pessoas aptas a cumprir horários em levar e trazer as crianças e ser responsável por elas indo e voltando, neste ano temos um projeto de fazer isso e participar de eventos que a Dynamic até então não participou. Ter o nosso próprio agente e começar a fazer treinos a partir do mês que vem para assim surgir novos atletas e novos campeões daqui da Bahia. Este ano nós terminaremos o projeto da fábrica para confeccionar acessórios, isso é o que a Dynamic vai oferecer nesse ano. Todo ano a Dynamic oferece alguma coisa, começamos a fabricar nossas pranchas em material pequeno, construímos uma fábrica, passamos de uma loja menor para uma maior e hoje você entra na nossa loja tem pranchas usadas, pranchas prontas podendo escolher ou encomendar a depender do seu gosto, hoje tem vários acessórios, de importado a nacional e oferecemos serviços com uma pessoa muito profissional, perfeccionista e prudente, ele chega para consertar sua prancha e não conta como mais uma e sim como uma prancha que veio para ele consertar e conserta bem. Hoje estamos selecionando o quadro de funcionários de gerência para no futuro próximo, acredito que daqui um ano, agente já começar a expandir a Dynamic para outros locais como hoje temos a Barra, Rio Vermelho, Linha Verde, Praia do Forte e outros lugares que já me convidaram, para você ter uma idéia as pessoas saem de Paripe, subúrbio de Salvador, para vir comprar pranchas com agente até moradores de Diogo, perto de Aracajú, vêm comprar prancha, então eu acho até para eles um desconforto de se locomoverem de lá para cá é uma viajem meio estafante, então eu quero aproximar mais ainda Dynamic do público, neste caso o alvo é o surfista. A Praia do Forte, já esta em negociação, no Rio Vermelho e na Barra já vão ter uma Dynamic que já estão sendo construídas e daqui a uns dois meses a Dynamic da Barra vai estar pronta com outro proprietário franqueado, ou seja, será franquia, ele vai montar a loja dele e vai manter a mesma psicologia que a Dynamic vem construindo no decorrer do tempo.
O que é a equipe para a Dynamic Style?
Tem sempre um coquetel no final do ano para agradecer, além de Deus a minha equipe porque eles são como corpo, o esqueleto completo e o cérebro sou eu, temos um gerente que tem 6 meses na função. No decorrer desses 30 anos que eu faço pranchas eu vinha administrando minha empresa com tantas dificuldades, mas como eu sou um cara maduro, com 46 anos de idade já sei o que é o certo e o que é o errado para empresa e a empresa é uma família então vamos reunindo pessoas, hoje temos dois atendentes, um gerente e minha esposa que fica na parte de orientação para ver o que precisa para chegar à noite e me passar porque eu não fico 24 horas dentro da minha empresa, na fábrica tenho um funcionário há 12 anos, então são 12 anos que venho orientando como tem que ser lixada e estruturada a prancha para meu cliente, o próprio laminador e pintor já sabem as características do que eu gosto, porque a arte é a única certa, então tem a diferença de um fabricante para outro, pois um gosta de verde, eu já gosto de azul, então é isso que predomina é isso que modifica e lhe dá um suporte para você diferenciar seu produto, às vezes a pessoa vai comprar só por causa da logomarca, não vê o restante. Hoje trabalhamos para criar uma logomarca, uma equipe de atendimento pessoas que lhe dão um suporte total, quando ela vem a Dynamic é obrigada a lhe atender e mostrar-lhe, onde todo dia bato na tecla, o produto se presta para a você ou não, se é mais viável a fazer ou não, porque não é que tendo 250 pranchas prontas tenho que vender, aquelas 250 pranchas são mostruários e se a pessoa entrar e for de acordo com seu biótipo e sua precisão ela vai ser válida, da mesma forma que construo uma prancha na fábrica que vai para o cliente tal eu construo e coloco na minha loja, lá na fabrica é a mesma coisa tenho reuniões periódicas até sou chamado de chato, mas é bom bater na mesma tecla 10, 15 e 20 anos, infelizmente não temos um gravador dentro do cérebro para toda hora fixar aquelas informações, então dois ou três vezes por semana tenho reuniões. Hoje mesmo terei reunião com os atendentes para conversarmos sobre como atender, porque sempre falta alguma coisa, e eu quero que o cliente saia daqui satisfeitíssimo. Na fábrica tenho hoje funcionários selecionados que são as pessoas que trabalham com: na pintura eu tenho o melhor pintor, o melhor lixador e só fazem aquilo, ou seja, o pintor não lixa, quem lixa não pinta e assim não temos sobrecarga nos serviços, eu não deixo o servente fazer manutenção de prancha isso será feito pelo profissional específico.